Chegou setembro.

Quantos anos espero

setembro,

como espero janeiros,

nada acontece, algum 

aplauso

de má vontade, por que

haveria de ser boa? Para

a poesia, a poesia não muda

nada, muda, sim,

traz prazer para quem a faz

E mais ainda (pretensão)

para quem as lê

entre as entrelinhas

deixa-se pulsar

alguma transformação,

isso faz bem

em todos os setembros e 

janeiros que pudermos 

alcançar, ou o nada e sua 

intimidade


-- O barco não chega ao horizonte


por isso sempre longe

vai minha saudade

da curva do tempo, que

dobrou no mar,

velas que não se abriram e à

deriva ficou

o fogo da poesia que

só queria estar lá no mar azul

a rodear o horizonte sem fim

dos tempos.


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